🎧 10 Princípios Criativos de Rick Rubin para Transformar sua Arte

Rick Rubin é um dos produtores musicais mais influentes da história. Com nove Grammys, uma fortuna pessoal avaliada em 400 milhões de dólares e uma carreira que atravessa quatro décadas, ele produziu álbuns e canções para mais de 120 artistas — de Johnny Cash e Red Hot Chili Peppers a Eminem, Paul McCartney e Beastie Boys.

Mas o mais curioso na sua trajetória é que ele não toca nenhum instrumento em nível profissional. Na realidade, ele diz que não sabe nada de música. Sua genialidade não está na técnica, mas na capacidade de enxergar a essência de uma obra e extrair o que ela tem de melhor, como um excelente ouvinte. É interessante pensar que a escuta é uma coisa ativa. Assim, ele construiu uma carreira inteira baseada em gosto, intuição e uma filosofia de vida que transforma a criatividade em um modo de estar no mundo.

Em seu livro "O Ato Criativo: Uma Forma de Ser", Rubin compartilha os princípios que guiam sua vida e seu trabalho. Bora ver então os 10 princípios criativos que podem mudar a forma como você cria — seja música, texto, arte ou qualquer outra coisa.


1. Tudo o que importa é que você esteja criando algo que ama, da melhor forma que consegue aqui e agora

Rubin acredita que o processo criativo não pode ser construído em torno da espera por condições ideais ou inspiração perfeita, algo quase metafísico. O que importa é o ato de criar — com o que você tem, onde você está, agora. A perfeição é inimiga da ação.


2. Se você tem uma ideia que te empolga e não a traz à vida, não é incomum que essa ideia encontre sua voz através de outro criador

Ideias não são propriedade exclusiva. Se você não as realiza, elas encontram outro canal. Para Rubin, o artista é um canal para a criatividade, não sua fonte. Se você não age, a inspiração segue adiante — e encontra quem esteja disposto a trabalhar.


3. A capacidade de olhar profundamente é a raiz da criatividade

A criatividade começa com a atenção plena, talvez na música, atenção plena à escuta. Estar presente, observar os detalhes, perceber o que os outros ignoram. As epifanias, diz Rubin, "se escondem nos momentos mais corriqueiros": uma sombra, o cheiro de um fósforo, uma frase ouvida pela metade. Extraploando, talvez um ruído qualquer de uma porta rangendo? Uma paisagem sonora?


4. Criar algo não é sobre ter todas as respostas, é sobre estar aberto às perguntas

O processo criativo é uma jornada de descoberta, não um destino com respostas prontas. Rubin defende que o coração do experimento é o mistério. Comece com um ponto de interrogação e embarque na descoberta. A incerteza é o território fértil da criação. As perguntas são mais importantes do que as repsostas. Penso que aquele sujeito que sabe de tudo, tem certeza de tudo, provavelmente não será criativo.


5. O público vem por último

Essa é polêmica. Antes de se preocupar com o que os outros vão pensar, Rubin pergunta: "Você ainda faria isso se ninguém nunca ouvisse?" Se a resposta for sim, você está no caminho certo. A única responsabilidade do artista é com a própria obra. O público é consequência, não objetivo. É o perigo de cair no clientelismo.


6. A criatividade não é uma habilidade rara. Não é difícil acessá-la. A criatividade é um aspecto fundamental do ser humano

Rubin é enfático: "A criatividade é um direito nosso de nascença". Todos são criadores. Não é um dom reservado a poucos, mas uma maneira de ser que pode ser cultivada por qualquer pessoa, em qualquer área da vida. É uma perspectiva muito interessante, por que tira a criatividade do eixo do "dom" e coloca no eixo de "um aspecto fundamental", uma perícia possível de ser cultivada. Pra mim, isso muda tudo por que empodera as pessoas a serem criativas, longe do discurso excludente do dom. "Quem tem tem, quem não tem, só lamentos..."


7. Nós não somos a fonte da criatividade, somos o seu canal

Apesar de evitar a ideia de dom, a visão de Rubin tem um componente espiritual e transcendente. A criatividade é uma força que flui através de nós, não algo que inventamos. Nosso papel é criar um ambiente onde essa força possa se manifestar — com disciplina, presença e abertura.


8. Cuidado com a suposição de que a sua forma de trabalhar é a melhor, só porque é a forma como você sempre usou

Rubin desafia o apego aos métodos. Não existe uma "melhor" maneira. A criatividade exige flexibilidade e a disposição de abandonar o que não serve mais. Como ele mesmo fez: construiu uma carreira sem tocar instrumentos, provando que a técnica é secundária à visão.


9. Nada é estático. Tudo está sempre em estado de mudança

Este princípio é uma constatação sobre a vida e a arte. Não existe obra finalizada, não existe versão definitiva. Tudo está em movimento, e o artista que abraça a mudança se mantém vivo criativamente. A estagnação é o verdadeiro fim do processo criativo. Vários outros produtores e artistas citam a necessidade constante de se reinventar. Nesse sentido, dá pra extrapolar que o conservadorismo em um sentido amplo é anti-criativo? Ao meu ver sim.


10. O trabalho do artista é criar um ambiente onde a inspiração possa te encontrar

Não se trata de forçar a inspiração, mas de se preparar para recebê-la. Rubin sugere que a dedicação à prática de estar presente regularmente é o principal requisito. Criar rotinas, variar os estímulos, manter-se aberto ao novo — é assim que a inspiração encontra um lar.


"Leve a arte a sério sem praticá-la de forma séria. A seriedade sobrecarrega a obra como um peso."

— Rick Rubin

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Sinto que esse é um problema central pra diversos músicos, onde me incluo também.


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